Quando assumiu o comando da seleção, depois do fracasso brasileiro na Copa-2006, Dunga era muito criticado. Como ele mesmo costumar dizer, “era para ficar por dois, três meses”. Três anos depois, o treinador conquista seu segundo título com o país e segue à risca o histórico de Parreira.
Uma diferença, entretanto, é observada entre os times dos dois técnicos. Em 2005, o Brasil era o atual campeão do mundo e contava com uma das melhores gerações de craques de sua história – o tão falado quadrado mágico. O troféu da Copa das Confederações veio em um chocolate sobre a Argentina e a equipe saiu da Alemanha eufórica, achando que o Mundial seria barbada.
Este ano, não temos uma geração tão brilhante e muitos não jogam em clubes de ponta. Dunga promoveu uma renovação no time. Mas, mais do que mexer no elenco, ele mexeu no brio dos atletas – Kaká, por exemplo, sofreu com o treinador. E hoje, liderados pelo novo craque do Real Madrid, temos um time. Um grupo.
Ontem, em Johanesburgo, o Brasil precisou suar sangue para vencer. Venceu e chorou. Os Estados Unidos não são a nata do futebol mundial, mas valorizaram a conquista brasileira. O que se viu após a partida foi o resgate do orgulho de vestir a amarelinha e a emoção de quem sabe como é difícil alcançar o topo (confesso que vibrei e me emocionei como há muito não fazia com a seleção).
Na comemoração, avisos ao mundo que “o Brasil voltou”. Sim, sempre seremos favoritos. Mas algo muito mais notório: a oração conjunta e a cobrança de pés no chão. Cobranças de que nem a vaga na Copa está garantida ainda e que há muito a se trabalhar para repetir o feito no ano que vem.
Dunga chegará ao Mundial-2010. Ele e Parreira (este em sua última passagem, de 2002 a 2006) conquistaram a Copa América e a Copa das Confederações. E as semelhanças param aí. Hoje, o atual técnico tem um time unido.